1987 / 1989 - Campeonato Brasileiro de Marcas e PilotosCampeão Brasileiro da Copa Shell de Marcas e Pilotos de 1987 - dupla com Gunnar Volmer
Toninho da Matta retorna as pistas em grande estilo. Contratado pela equipe Tesa/Juvena, de Santa Catarina, que eram marcas de duas gigantes do setor de malharia, Kremer e Maju. Animado pelo desempenho que teve no ano anterior no campeonato, Gunnar Wollmer (empresário responsável pela Majú), resolveu contratar Toninho para correr com ele em sua equipe. Como as corridas eram de grande duração, era necessário dois pilotos, e nada melhor que um piloto campeão. Por indicação de Toninho, Sanchão foi incorporado ao esquema, e foi para Blumenau. Ele seria responsável, junto com Irineu Boetinguer, pelo desenvolvimento do carro e motor. Toninho que já fora campeão com a Volkswagen e com a Fiat, sabia o quanto teriam de trabalhar para poderem brigar pelas primeiras posições. Toninho se mostrou muito entusiasmado com o esquema e garantiu que a equipe estaria sempre no páreo.
Primeira etapa -7 de junho - 1 Hora de Jacarepaguá
a primeira prova foi realizada em Jacarepaguá, como preliminar da Fórmula, Toninho e Gunnar terminaram em oitavo lugar
Quarta etapa -5 de julho - 500 Km de Brasília
Quando Toninho aceitou o convite para disputar o campeonato com Gunnar, não estava apenas querendo continuar correndo, queria mostrar para a Volkswagen o seu valor. Quando a montadora escolheu os pilotos que iriam defender oficialmente suas cores, esqueceu-se do seu velho campeão. Mesmo assim, correndo com um passat sem todo o aparato da fábrica, ele logo assumiu a liderança do campeonato entre os carros aspirados. Para compensar a deficiência de seu co-piloto que é um empresário, Toninho tinha que fazer a sua parte e mostrar o caminho das pedras para seu companheiro. Em Brasília, deu um show de pilotagem e venceu a prova. Uma vitória com sabor especial que o deixou na liderança absoluta do campeonato. Apesar da disputa entre os aspirados ser palmo a palmo, a dupla Gunnar/Toninho estava mostrando que vinha para ficar; lideravam o campeonato com 24 pontos a mais que os segundos colocados Xandy/Tony Rocha. Clemente/Vinicius continuavam na liderança na classe turbo.
Quinta etapa - 2 de agosto - 3 Horas de Cascavel
Na quinta etapa do campeonato, Toninho e Gunnar Wollmer, deram um show na pista e mantiveram a liderança na categoria. Correndo com um Passat aspirado, Toninho chegou a liderar a prova. Acabou em terceiro lugar, atraz apenas de dois carros turbo. Com mais esta vitória, a dupla Toninho/Gunnar pulou para 284 pontos, 34 a mais que os segundos colocados Girotto/Coelho, que na prova de Cascavel ficaram em quinto na geral. Disputada metade das provas do campeonato, os mineiros surgem como favoritos para ganharem o campeonato, isto porque a dupla Clemente/Vinicius lideram o campeonato de turbo.
23 de agosto - 12 Horas de Goiânia
A verdadeira maratona das doze horas de corrida para carros turbo parecia que não seria boa, e de fato não foi. Desde os treinos a corrida mostrava que seria a mais emocionante prova da temporada. E realmente a prova foi dominada pelos carros aspirados. A dupla Xandy/Toni Rocha foram os vencedores e o segundo lugar ficou com Toninho/Gunnar. Dos 29 carros que largaram somente 14 completaram. O turbo mais bem colocado foi da dupla que liderava o campeonato, Clemente/Vinicius que chegaram em terceiro lugar.
4 de outubro - 3 Horas de Guaporé
Com o segundo lugar conseguido em Guaporé, Toninho/Gunnar mantiveram a posição no campeonato, ainda com a vantagem de chegar na frente do carioca Judice, vice lider dos aspirados, onde até o quarto lugar colocado ainda tem chances de ganhar o campeonato. Apesar da vantagem de 39 pontos sobre os segundos e 64 sobre os terceiros; Xandy/Santos, ser pequena, Toninho e seu companheiro eram os mais cotados ao título. Nos turbos a vitória foi de Ingo/Rogério dos Santos.
11 de outubro - 500 Km de Tarumã
a pista foi vetada pela comissão de pilotos do Brasileiro de Marcas. Assim foi cortada a penúltima etapa do campeonato.
8 de novembro - 2 Horas de Cascavel
Enquanto a prova era disputada na pista em um clima de decisão de campeonato - uma vez que a dupla lider Clemente/Vinicius e Toninho/Gunnar poderiam chegar ao titulo da temporada - nos boxes alguns assessores de imprensa, inclusive fortes patrocinadores, articulavam uma campanha a favor da mudança do regulamento ainda para o ano corrido. Alguns pilotos que estavam próximos dos líderes, insistiam que deveria haver descarte dos três piores resultados. Para a dupla de turbo Clemente/Vinicius tal mudança sequer faria diferença no geral da classificação mas apoiaram a dupla Toninho/Gunnar que poderiam ser seriamente prejudicados. A vitória entre os aspirados ficou com Élio Seikel/Girotto depois de uma briga muito técnica com Toninho/Gunnar e Xandy/Rocha, que foram disputar o título da temporada no dia 22 de novembro em Interlagos.
22 de novembro - Interlagos
As duplas Clemente/Vinicius e Toninho/Gunnar foram as campeãs das categorias turbo e aspirados, respectivamente, da Copa Shell de Marcas e Pilotos. A última prova da temporada, os 500 km de Interlagos, foi disputadissima. Toninho/Gunnar foram os campeões.
1989 - CAMPEÃO BRASILEIRO COPA SHELL DE MARCAS E PILOTOS - dupla com Gunnar Wollmer
1 Etapa - Cascavel - prova vencido por Toninho da Matta/Gunnar Volmer.
2 Etapa - Tarumã - décimo lugar Toninho/Gunnar - A bruxa definitivamente estava solta em Tarumã. Fazia muito calor e isto também contribui para o acidente com o piloto paulista Amadeu Rodrigues. Não foi simples fat alidade: num caldeirão de irresponsabilidades, misturou-se a falta de segurança da pista gaúcha e a negligence da própria vítima. A tragédia não demorou meia volta para acontecer. Entre a curva 3 e a do Laço, Amadeu tentou ultracasual o passat de Negrão. Perdeu o controle do carro, passou sobre o capô do adversário, estampou o guard-rail, voou sobre a cerca e foi parar na parte baixa do outro lado da pista, explodiu imediatamente. O piloto ainda conseguiu sair milagrosamente e atirou-se no chão para tentar apagar as chamas do seu macacão (por causa do calor o piloto resolveu deixar nos boxes seu macacão, a balaclava, as luvas e sapatilhas antifogo, preferiu usar um macacão mais leve que não era a prova de fogo.Até o capacete que deveria proteger o piloto, pegou fogo. Aos descuidos de Amadeu, junta ram-se outros. A primeira pessoa a chegar para socorrer também não usava roupa a prova de fogo e não pode chegar perto do carro. Amadeu errou, mas não errou sozinho. Não se pode permitir a participação de um piloto numa corrida sem as proteções regulamentares. A corrida prosseguiu depois de muita discussão. A pole era de Toninho da Matta que aproveitou a primeira posição, largou bem e continuou em primeiro até ser ultrapassado por Mattheis. Toninho entregou o carro em segundo lugar para Gunnar, que na segunda bateria, após 5 minutos de um belo duelo entre Amadeo Moller, Fábio Greco, Ricardo Cosac e Jorge Freitas - todos corriam praticamente colados nas primeiras colocações - aconteceu um novo acidente na curva. Desta vez, hove um bate-bate espetacular entre Anor Friedrich, Gunnar Vollmer, Fábio Crespi e Augusto Ribas. Carros foram parar no guard-rail, outros ficaram atravessados no meio da pista e Ribas acabou subindo num barranco e quebrando o braço. O vencidor da prova Amadeo Moller/Fábio Bertolucci foi declassificado por usar amortecedor argentino. A vitória caiu no colo da dupla Hoffmann/Greco, Mattheis/Cosac ficaram em segundo lugar, em Terceira Jorge Freitas/Massanori.
3 Etapa - Cascavel - primeiro lugar Toninho/Gunnar
4 Etapa - Interlagos - terceiro lugar Toninho/Gunnar
5 Etapa - Rio de Janeiro - sétimo lugar Toninho/Gunnar
6 Etapa - Goiania - vitória Toninho/Gunnar
7 Etapa - Rio de Janeiro- quarto lugar Toninho/Gunnar
8 etapa - Tarumã - a dupla gaúcha Fabio Bertolucci/Ronaldo Eli foram os vencedores desta prova adiando assim a conquista do título de campeão; que a esta altura parecia ser da dupla Hoffman/Greco, que chegou em segundo lugar e precisian vencer e esperar que Toninho/Gunnar não chegassem nem mesmo em terceiro lugar. Toninho e Gunnar ficaram em quarto lugar e assim o campeonato ficou para ser decidido nas outras etapas.
9 Etapa - Curitiba - Toninho da Matta/Gunnar Volmer, com um passat, sem apoio da Volkswagen, venceram a prova de Curitiba. Este resultado adiou a decisão do campeonato para a última prova , em Cascavel. Nesta prova Ingo/Greco tiveram problemas com o carro e não terminaram a corrida entre os primeiros. Toninho largou na pole na primeira bateria, mas logo na primeira curva derrapou e caiu para décimo primeiro lugar. Numa reação sensacional, o veterano piloto mineiro reassumiu a ponta na quinta volta e venceu a bateria, seguido de Mattheis, Xandy Negrão, Armando Balbi, Attila Sipos e Ingo Hoffmann. A segunda bateria foi vencido por José Carlos Palhares, com Gunnar em Segundo, o que lhe assegurou a vitória ma soma dos tempos. Com o desempenho de Palhares, a dupla Armando/Palhares ficaram com a segundo lugar, ficando Mattheis/Cosac em terceiro. Na próxima prova em Cascavel, Toninho/Gunnar precisavam vencer e torcer para que Hoffmann/Greco não terminassem em segundo lugar. Foi exatamente isto que aconteceu.
10 etapa - Cascavel - Toninho da Matta/Gunnar Volmer, da equipe Tesa/Juvena/Mobil, conseguiram o que parecia impossível: conquistaram o título da Copa Shell ao vencerem a décima e última prova da competição, em Cascavel no Paraná. Toninho e Gunnar ficaram com o mesmo número de pontos que a dupla Ingo/Greco, mas levaram a melhor no desempate por vitórias - 4 a 3. Na verdade, o título começou a fugir da dupla Greco/Hoffmann na oitava etapa, quando eles podeeriam ter se sagrado campeões com um primeiro lugar. Depois de passar toda a temporada liderando o campeonato, deve ter sido difícil as assimilar a derrota no último round.
Poucas vezes alguém terá tido oportunidade de ver guiar um piloto de estilo mais apurado e eficiente do que o mineiro Toninho da Matta. Os amigos muitas vezes costumavam chamá-lo “Mão” - para evidenciar a mágica que brota daquelas mãos e se converte em manobras suaves, velozes e belas; chamavam-no “Máquina”, a fim de caracterizar melhor seu estilo metódico, puro, sem erros. Na verdade, a trajetória de Toninho parecia computadorizada. Pode-se contar nos dedos as vezes em que conseguiu pilhá-lo num erro de posicionamento do automóvel de dosagem de aceleração ou de cálculo de frenagem. Toninho é o caso típico - e raro - de um talento natural e absolutamente genuine para guiar. Nasceu para isso e fim. Suas maiores qualidades, segundo amigos e adversários apregoavam, era a frieza: Toninho pode sentar para pilotar seja o que for que não se deixaria dominar por nenhuma emoção. Isto lhe permitia manter sobre o carro um completo controle, evitando manobras precipitadas - dificilmente alguém se lembrará de ter visto Toninho fazer alguma maluquice a fim de ultrapassar um concorrente, mesmo se este fosse o primeiro colocado e faltasse apenas uma volta para terminar a corrida. No kart, Toninho desenvolveu a precisão de traçado e o senso de oportunidade que o caracterizavam. Rapidamente se impôs como o maior nome do automobilismo mineiro, investindo então nos carros e fórmulas maiores, onde acumulou mais e mais experiências e troféus. Em quase trinta anos de automobilismo, Toninho sofreu apenas dois acidentes mais sérios: o primeiro no kart, quando, treinava sem macacão, acabou esfolando praticamente o corpo inteiro; o segundo, pilotando a Alfa P33, durante a disputa da copa Brasil, no qual teve as pernas quebradas. Este acidente, entretanto, foi decisivo para a sua carreira, pois Toninho tinha planos de embarcar para a Europa. Seis meses afastado, porém, mudaram tudo: Toninho casou-se, vieram os filhos e o piloto passou a dedicar-se ao automobilismo nascional. Na pista, Toninho era um piloto extremamente combativo. Não era desleal, mas sempre jogava duro, e ninguém se iluda, conhecia todas as maldades e manobras que se podia fazer com um carro, fazendo uso de todas com alta eficiência, quando isto se fazia necessário, fora ela, não chega a ser afável ou extrovertido, mas também não é antipático. Este foi o piloto Toninho da Matta foi valorizado por seu colega de equipe e duas vezes campeões em dupla, Gunnar Volmer.
Para se tornarem campeões a dupla Toninho/Gunnar precisavam ganhar as duas últimas provas da temporada e Ingo Hoffman não chegar em segundo. Eles venceram e foram campeões.
1989 - Terceiro colocado no XIX Ranking Auto Esporte
- Este ranking foi um retrato dos desempenhos dos pilotos brasileiros em provas nacionais, ao longo do ano de 1989. O vitorioso mais uma vez foi Ingo Hoffman, certo que ele disputava duas categorias - a Stock Cars e o Marcas e Pilotos -, o que significa uma maior chance de marcar pontos no ranking. Foi uma vitória incontestável dentro de um regulamento rigid e selective, que prevê a eliminação de certo número de resultado obtidos entre os dez primeiros classificados de cada prova. O Segundo lugar ficou com Fábio Greco que também disputou dois campeonatos. Dos que disputavam só um campeonato, o lelhor classificado foi Toninho da Matta que ficou em terceiro lugar empatado com seu colega de equipe Gunnar Wollmer. Toninho e Gunnar foram campeões em Marcas e terceiros no Ranking.