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1985 / 1986 - Rally de Velocidade - Fisa

1985 - 1986 - Campeonato Brasileiro de Rallye

O reflexo do ano negativo de 85 fez-se sentir em 86. Toninho ficou fora do Campeoanato Brasileiro de Marcas e Pilotos (que era o que ele gostava), e foi disputar o Brasileiro de Rallye de Velocidade (FISA), a convite de Bob Sharp, para fazer parte do time da Volkswagen. Mesmo estranhando este tipo de automobilismo, conseguiu se sair bem, ficou em quarto lugar no campeonato. “Eu sempre fui piloto de asfalto, este negócio de pista de terra nunca foi meu negócio. No entanto, me apeguei a equipe e aos pilotos, fiquei amigo de muitos deles como: Claudio Antunes, Jorge Fleck, Costinha, Gilberto Schury (meu co-piloto), Tuca Cunha, Jorge Fleck, Paulo Lemos, Artur Cézar, Eduardo Cunha, Silvio Klein, Tedesco e muitos outros que ficaram em minha memória. No Brasil, ainda não tinha o destaque que merecia, mas já era uma categoria muito importante do automobilismo mundial. Quem assistiu aos espetáculos oferecidos por pilotos e carros, voando baixo em estradinhas secundárias de terra, podia sentir que a categoria vinha em contínuo desenvolvimento, principalmente em termos de evolução técnica dos carros e da habilidade dos pilotos e co-pilotos.

O Campeonato Brasileiro de Rallye de Velocidade, nos anos que Toninho participou, era iniciado com o Rallye da Graciosa. A prova saía de Curitiba indo até a cidade litorânea de Antonina, passando pela perigosa Serra da Graciosa. Esta foi a primeira participação de Toninho no Rallye de Velocidade. As "especias" (trechos contra o relógio pré determinados) foram disputadas. Primeiramente no trecho Don Pedro: uma antiga estrada de terra e cascalho próxima a cidade de Quatro Barras, a 30 km de Curitiba. O segundo trecho do rallye era disputado no PC de Piraquara, onde haviam trechos de alta velocidade e dois saltos manifestos, em sequência. Neste trecho, Toninho da Matta/Schoury ficaram com o terceiro melhor tempo seguidos de Antunes/Barbour que estavam brigando pela ponta, mas um pneu furada e uma batida passou a chance para Lemos/Cezar. Toninho/Schoury, ficaram em Segundo lugar na prova.

Na terceira etapa do Campeonato, Toninho da Matta, que estava no primeiro ano de rallye e que a cada prova vinha subindo de rendimento, com seu navegador Gilberto Schoury e pilotando um gol da equipe Volkswagen, poderia ter alcançado melhor resultado do que o oitavo lugar se não fosse dois pneus furados.

Na etapa do Rali das Estâncias, uma prova veloz e muito disputada, os vencedores foram Lemos/Cezar, apesar disto, a equipe gaúcha Fleck/Klein dificilmente perderiam o campeonato. Outro destaque da prova foi a dupla Toninho/Schoury, que passaram a ameaçar o segundo lugar geral da dupla Futcher/Gomes. Toninho até então era so conhecido por quem acompanha o automobismo de asfalto. Contratado pela VW , no primeiro ano ele se atrapalhou um pouco em se adaptar, mas logo ele provou sua capacidade técnica. Jorge Fleck, muito franco, contou que nas duas últimas Pcs do rally das Estâncias, deu tudo o que podia, sentido a aproximação do gol de Toninho, que no entanto descontou 23 segundos, o que lhe garantiu o Segundo lugar do rallye com cinco segundos de vantagens sobre Fleck.

O rally das Montanhas era disputada na região oeste do estado de São Paulo, por estradas secondárias dos municípios de Araçatuba, Guararapes, Caramuru, Valparaíso, Tabajara, Lavínia e Mirandópolis. O que mais chama atenção no rally, e o faz ser tão exitante é esta adversidade de pistas e paisagens. Rally é cultura também. Hoje Toninho relembra com muito carinho dos amigos que conquistou neste meio e de como ele foi recebido; “Quando cheguei para disputar o campeonato, todos os pilotos me olhavam de rabo de olho. Acho que eles não me queriam no meio deles, afinal eu era piloto de pista. Ninguém me disse nada de como conduzir um carro de rally. Estávamos treinando e eu levando uma surra danada quando paramos no meio das estradas para bater um papo e eu, muito antenado olhei as rodas dos carros e estavam todas negras e a do meu carro limpinha. Foi aí que eu descobri o tanto que eles usavam o freio. Comecei a usá-lo mais e a crescer no meio. Pena que não fiquei o suficiente para me tornar um campeão desta modalidade. Passando por estradas de terra e de asfalto, subindo e descendo montanhas, dando um emocionate espetáculo para o público, o rally de velocidade ou FISA vinha obtendo muito sucesso dentro e fora das pistas. Na Europa tem uma grande importância. As viagens de norte a sul do país, indo sempre para lugares que a gente nunca sonha conhecer, era tudo de bom. Tenho muita saudade desta época“.

Toninho competiu por dois anos no rally tendo como co-piloto o gaúcho Gilberto Schoury, ficando no primeiro ano em quinto lugar no campeonato e em quarto no segundo ano de disputa. Segundo Schoury: “O Toninho tem grande sensibilidade e se adaptou muito bem á categoria. Sem dúvida, é um dos melhores pilotos do nosso rali de velocidade.” Segundo Toninho voltar ao rally ia ser uma coisa muito boa. Ele disse que aprendeu muito com Schoury e agora queria se aprimorar com Tuca Cunha, atual navegador de Toninho e campeão em 1984. Esta dupla começou o campeonato com uma prova atraz, mas Toninho ainda acreditava que iria realizar uma boa campanha a partir de Santa Catarina. Eles não participaram da primeira prova da competição porque Toninho teve de organizar a equipe e preparar o carro, desta vez com o patrocínio da Mila/Motorcity. “Só fizeram o convite para que eu patricians do campeonato no dia 15 de março e, a primeira prova, foi no dia 19 de abril, no Distrito Federal.”

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