1974 - Inauguração do Autódromos de Brasília (com prova de F-1) e de Goiânia (com provas nacionais )
O início de 1974 não foi bom para o automoblismo brasileiro. A crise do petróleo afetou o país fortemente, e o automobilismo sofreu muito. Fora as corridas de Campeonato Paulista de Divisão 1, 3 e 4, e algumas provas de longa duração do campeonato brasileiro, os outros campeonatos começaram quase no segundo semestre. A Super Vê, como estreante, começou antes por ser uma novidade e trazer novos pilotos a tona.
1975 - 500 Milhas de Interlagos
Toninho da Matta voltava ás corridas depois de seis anos fora das pistas, mas mantinha-se em forma através de corridas de kart em Minas e Rio. Iniciava, aí, uma fase de ouro para ele pilotando Passats.
As 500 milhas de Interlagos, foi vencida por Francisco Artigas e Eduardo Doria, na classe A. Na Divisão 1, classe para carros até dois litros, os Passats dos pilotos Toninho da Matta e Edson Yoshikuma chegavam a ter 160 cv de potência a 8.000 rpm. Tinham dois carburadores duplos e as cornetas de aspiração eram visíveis com o capô aberto. Chegava a 220 km/h. A carroceria recebia spoiler dianteiro, aerofólio traseiro, pára-lamas dianteiro e traseiro alargados.
O vencedor da classe B, foi a dupla Sippos/Paternostro, mas Toninho da Matta deu muito trabalho enquanto esteve na pista, ficando na cola do carro de Sippos. Algumas vezes ele até chegou a passar Sippos, mas no final ficou em segundo. Seu companheiro de equipe, José Junqueira, não se deu tão bem e acabou abandonando na segunda bateria e assim não foi possível manter o segundo lugar que Toninho havia conquistado. Toninho da Matta atinge a perfeição dirigindo Passats da Volkswagen, finalmente encontrara o seu carro.
1976 -Vice-Campeão da Copa Minas-Góias - Proibidas as provas de longa duração no Brasil - Apesar das dezenas de títulos e centenas de troféus conquistados por Toninho desde 1966, faltava o título máximo do automobilismo, nunca disputado por nenhuma equipe mineira até 1976. Disputava-se a Copa Minas-Góias, e ele participiou de duas das quatro corridas. A equipe precisava de um piloto para ajudar na conquista do campeonato, convidaram a Toninho para tal posto. Ele ajudou demais, pois venceu as duas corridas das quais participou e a equipe foi campeã e vice. A turma da “jovem guarda’ que ainda não tinha visto-o correr de automóvel, asustou-se com aquele piloto que apareceu no campeonato, venceu as duas corridas das quais participou e ainda bateu o recorde da pista.
1977- Vice-Campeão Brasileiro de Turismo de Série - A equipe Autobet/Codeplan, de Minas Gerais, inscreveu um passat TS em todas as provas do Campeonato Brasileiro de Divisão 1 para os pilotos Toninho da Matta e José Alberto Junqueira. Alguns azares e acidentes com o carro, impediram boas colocações para a dupla, até que cada piloto recebeu um passat e os resultados foram melhores sem contudo atingir pontos necessários para o título brasileiro. Primeira prova da Divisão 1 foi dominada pelos paulistas, Atila Sippos/ Paternostro. Toninho/Junqueira ficaram em Terceiro. Na Terceira prova em Tarumã, a liderança coube iniciallmente a Ricardo Gonçalvez, seguido por Toninho da Matta e Morsa. Na décima sétima volta, Ricardo rodou na Tala Larga permitindo que Da Matta e Morsa o ultrapassasse. Toninho foi o primeiro e Morsa o segundo na bateria. Na segunda bateria Junqueira não teve o mesmo rendimento de Da Matta e terminou em nono lugar. Na soma das baterias eles ficaram em terceiro lugar. Primeiro Marco Mota, Segundo Marcio Ferreira
1978 - Campeão Brasileiro de Turismo de Série - Passat 38 - O lançamento do Passat, passou a ser a principal arma da VW não só na Divisão 1, como eventualmente na Divisão 3. Os carros de Divisão 1 tinham pouco preparo e usavam pneus radiais, portanto, eram muito menos caros de montar e manter do que os Divisão 3, categoria que permitia alto nível de modificação, pneus importados, etc. Por outro lado, os carros de Divisão 1 trouxeram de volta as corridas de longa duração ao Brasil, atraindo um número muito grande de patrocinadores, pilotos de categoria. Esse ano Toninho correu sozinho num passat TS número 38 com patrocínio exclusivo da Autobet, uma revenda VW de Betim, e foi acumulando vitórias em todas as provas classificatórias, até que disputou as duas etapas do brasileiro em Goiânia e Brasília. Toda sorte de um título importante foi decidido com a realização de duas baterias de uma hora cada disputadas em Brasília e Goiânia. Resultado de Toninho nas eliminatórias: Brasília #1; Rio de Janeiro #2; Brasília #1; Interlagos pole e #1; Goiania pole e #1; Interlagos largou em último e terminou em décimo.Toninho foi para a final do Brasileiro com o recorde das duas pistas: 2.43.34s para Goiania e 1.58.04s para Brasília. Toninho ganhou as duas corridas e terminou o ano como Campeão. Estas duas etapas do brasileiro revelaram ainda o talento de outro mineiro: Roberto Mourão, que correu com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Codeplam. Terminou o campeonato em quinto lugar. Seu grande azar for ter saído da pista em Goiania quando foi tocado por traz por Junqueira. Aliás, o exesso de batidas entre os carros da Divisão 1 foi uma constante em todas as provas, o que tornou impossível para a direção das provas fiscalizar os acidentes. Toninho largara na pole position após bater o recorde da pista, mas antes de completar a primeira volta, seu carro foi batido na traseira por Junqueira, caindo para a décima quarta posição. Dirigindo de uma maneira impressionante, na volta seguinte ja era o sétimo, e duas voltas depois estava em segundo. Assumiu a liderança de novo na décima segunda volta e foi abrindo gradativamente do segundo colocado, o paulista Mário Ferreira, até receber a bandeira quadriculada.
Toninho da Matta foi o primeiro mineiro a vencer um campeonato Brasileiro de Carros, Minas tinha então um campeão sem autódromo.
1979 - Bi Campeão Brasileiro Torneio Passat - Com a proibição das corridas de longa distância, em 1977, e após a extinção do Grupo 1, em 1978, criou-se um torneio monomarca; o da VW Passat 1600 - Um dos pilotos que mais se destacou com esse modelo foi o mineiro Toninho da Matta que neste ano venceu quatro vezes, chegou quatro vezes em segundo lugar e seu pior resultado um terceiro. As nove etapas deste torneio foram pontilhadas de muita técnica, garra e disputas acirradas que valorizaram ainda mais o bi-campeonato de Toninho. A perfeita harmonia entre o piloto e equipe foram responsáveis pelas vitórias e excelentes performance. Os mineiros deram aula de automobilismo aos outros brasileiros. O trabalho realizado geralmente ás pressas na pista (Minas não tem autódromo) antes de cada prova, cedeu lugar a paciente pesquisa em banco de dados, dinamômetro e o conhecimento do engenheiro de Toninho: Márcio Sanches, mais conhecido como Sanchão.
A primeira etapa do torneio foi em março em Interlagos e os mineiros mostraram sua força. Roberto Mourão foi o pole, Toninho o segundo. Tão logo foi dada a largada Toninho assumiu a liderança. Expremendo-se em um pelotão compacto de carros que descia o retão em direção e a Curva 3 em direção a pequena reta que antecedia a Ferradura, estavam Roberto Mourão, Chico Inglês, Jayme Figueiredo e Jorge Freitas. No meio do retão, os carros se enroscaram, Mourão e Jayme rodaram enquanto Freitas levantava vôo do meio dos carros indo parar no valão onde ja estavam os outros carros. Quando desceram dos carros, Jayme e Freitas começaram a brigar. Uma cena acima de tudo cômica, já que os apetrechos de corrida atrapalhavam os movimentos e não permitiam grandes agressões. Toninho aproveitou (estava confirmando seu favoritismo, no dia 8 de outubro de 1978, no autódromo de Brasília, e conquistou o título de Campeão brasileiro de turismo de série com o Passat 38 da equipe Autobet. Na prova Toninho chegou em Segundo lugar a 55s. do Carioca Pedro La Roca da equipe Refricentro e não foi envolvido na batida) e assumiu a liderança, chegando a 20 s. do segundo colocado Egídio Micci
Em abril foi a vez de Brasília cediar o torneio Passat, Toninho foi o pole e venceu a corrida. Ao contrário das outras provas ele não largou bem e Armando Balbi assumiu a liderança. Toninho recuperou a ponta na quinta volta e daí para a frente foi só abrindo vantagem até obter 18.6s sobre Armando o segundo na prova.
Em junho Toninho venceu em Goiânia, foi sua também a volta mais rápida.
No Rio de Janeiro em julho, começou a perseguição dos outros concorrentes ao líder do Torneio Passat, Toninho da Matta, tentando descontar os 46 pontos que ele tinha de vantagem. Outra mudança que teve no Rio, foi o nome de um novo companheiro de equipe para Toninho. Jayme Figueiredo entrou no lugar de Roberto Mourão. Isto depois de entendimentos que resultaram no patrocínio da Gledson para a equipe. Nesta prova o pole foi Armando Balbi, seguido de Toninho. Na corrida também Toninho liderou toda a prova até a última volta quando Junqueira conseguiu fazer a ultrapassagem sobre Toninho na curva da vitória, Toninho ficou em segundo lugar, em terceirto ficou Clemente Faria e em quarto Roberto Mourão. Dificilmente alguém tiraria o campeonato dele, pois depois desta prova ficaria faltando mais quatro etapas (Cascavel, Guaporé, Rio e Interlagos) e ele só não se tornaria campeão se não fizesse nem um ponto nas restantes provas.
Toninho foi o Pole em Jacarepaguá no Festival do Álcool no dia 7 de setembro de 1979, com o tempo de 2m29s24. Ele foi o mais rápido de Fiat também. Venceu ambas as provas.
No dia 23 de setembro de 1979, em Guaporé, Rio Grande do Sul, Toninho da Matta da equipe Autobet/Gledson/Cocacola, tornou-se campeão por antecipação, do Torneio Passat. O mineiro fez uma corrida de espera pois sabia que um segundo lugar lhe daria o título. Sua estratégia foi perfeita pois ele não conseguia acompanhar o rítmo imposto por César Pergoraro (Bocão, o vencedor da prova) com um passat a álcool preparado por Dino de Leoni. Com duas rodadas de antecedência ele assegurou o título de bi-campeão. Esta não foi uma vitória isolada: contou o tempo todo com uma soberba retaguarda técnica, fruto do idealismo de Sinfronio Alves, que formou uma equipe altamente professionalizada e homogênia, com o preparador Márcio Sanchez, o mecânico chefe Leon Deniz, os assistentes técnicos Lino, Eudes e Moacir, e os mecânicos Pombinha e Jorge.
Com o título nas mãos a Equipe não se descuidou nas provas restantes, até porque o título, de equipes, ainda não tinha sido confirmado.
1980 - Toninho da Matta MG VW Passat 1600 -Campeão Brasileiro Torneio Passat - apesar de não ter tido bons resultados como no ano anterior ele ganhou na experiência. O Festival do Álcool no Autódromo do Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 1979, marcou o início de uma nova fase do automobilismo brasileiro. E acabou provando também o bom nível dos preparadores de motores. Eles fizeram um verdadeiro milagre na transformação dos motores de gasolina para álcool no pouco tempo que tiveram para trabalhar antes do 7 de setembro. Já em 1980 eles já tinham mais conhecimento e já existia um regulamento para o novo combustível, o que não deixaria mais dúvidas como ocorreu por diversas vezes na temporada anterior. O único inconveniente era a falta de combustível para treinos extras, o que acabava não permitindo um desenvolvimento mais rápido da preparação dos motores, era tudo resolvido nos treinos que antecediam as corridas. Com as corridas a álcool, a indústria automobilística ganhou laboratório gratuíto para seus motores. Calendário: março, São Paulo; 20 de abril Brasília; 25 de maio, Porto Alegre; 22 de junho, Goiânia; 20 de julho, Rio de Janeiro; 31 de agosto, Cascavel; 28 de setembro, Guaporé; 26 de outubro, Rio de Janeiro; 23 de novembro, São Paulo.
Na primeira prova em São Paulo, Toninho foi o Segundo colocado. Na segunda prova em Brasília ele foi o vencedor; vencendo também a Terceira prova de Porto Alegre. Na quarta etapa, Toninho se preparou com grande empenho. A preocupação dele com esta prova era tanta que no afã de conseguir uma boa colocação, acabou esquecendo de levar consigo a sorte que sempre o acompanhou. Pela primeira vez desde que vinha correndo de Passat, ele se viu envolvido em uma batida múltipla, muito comum na categoria, e assim viu escapar a chance de abrir uma boa vantagem na tabela daquele campeonato. Armando Balbi, companheiro de equipe de Toninho, foi o vencedor, seguido de Egídio Micci e de Jorge Freitas que ficou com a primeira colocação no campeonato com 56 pontos logo a frente de Toninho da Matta com 52 pontos. Dois pontos conseguidos pela melhor volta da prova. Na prova de Cascavel, Toninho foi o vencedor novamente, e com muita tranquilidade. A disputa pelos demais lugares foi emocionante para o público. As touradas na pista recomeçaram, com pilotos dando e recebendo totós para jogar o adversário para fora, e alguns até esperavam propositadamente, depois de terem sido prejudicados, para irem a forra. Foi um espetáculo pouco esportivo que se viu em Guaporé. O grande beneficiado desta “tourada” foi Toninho da Matta que passou a liderar, com 72 pontos dixando Jorge Freitas (que não marcou pontos), com 64 pontos. Toninho foi para Guaporé para tentar voltar com o tri campeonato na bagagem. Para nós mineiros era muito justo perguntar porque cargas d’água uma cidadezinha escondida no interior do Rio Grande do Sul tem seu autódromo e BH não tinha? Estamos sem respostas até hoje. Ainda não foi desta vez que Toninho conseguiria o tri, mas continuava mais que líder no campeonato, ficou com 80 pontos seguido de Armando Balbi com 67 pontos, e Jorge Freitas com 64 pontos. Sem autódromo, os mineiros tinham o Autódromo do Rio de Janeiro como se fosse deles. E foi para lá que o campeonato de Passat foi disputar sua oitava etapa e sagrar-se campeão. E foi Toninho o vencedor do campeonato depois de vencer a oitava e penúltima prova do campeonato que foi muito disputada nas primeiras voltas, quando seus mais diretos adversários na conquista do título estavam na pista. Toninho assumiu a ponta seguido de Jorge Freitas, José Junqueira, Pegoraro e Balbi. Na segunda volta a liderança ainda era de Toninho quando Balbi, que também brigava pelo título, teve problemas e abandonou a prova. Na volta seguinte, Jorge Freitas assumiu a liderança mas, por pouco tempo, pois também parou. Toninho reassumiu a ponta e liderou as voltas seguintes com calma e tranquilidade conquistando o que parecia impossível: seu terceiro título seguido na categoria. A categoria voou para São Paulo para fazer a última prova do ano. Foi relativamente tranqüila, o campeonato já estava definido em nome de Toninho e foi dele a pole, largando ao lado de Leonel Frierich do Rio Grande do Sul. Terminado o Campeonato de 1980 logo surgiu a pergunta: Quais eram os planos da Autobet para 1981? Sinfrônio Alves, dono da equipe, disse ainda não estar certo sobre o futuro, mas os co-patrocinadores Patrimônio e Refricentro estavam dispostos a continuar. O ano terminou sem uma resposta.