06/05/1970
Nesta época, o sonho de todo o piloto brasileiro era correr em um carro importado, de preferência na Europa. O sonho de Toninho chegou, não para ir para o Velho Continente, mas para disputar a Copa Brasil de Automobilismo.
Segundo a imprensa especializada da época, os dois únicos brasileiros que teriam chances, contra os estrangeiro, seriam os irmãos Fittipaldi. Ou seja, o resto dos concorrentes eram típicas figurinhas sem valor, sem grande aspiração senão a de competir.
Na primeira etapa, realizada em 6 de dezembro, os espanhóis foram superiores aos brasileiros em termos de resultado. De Bragation foi o primeiro, pilotando um Porsche 908 e Soler-Roig o segundo com um Porsche 907, seguido do brasileiro Toninho Da Matta que chegou em terceiro, contradizendo todas as previsões.
Toninho realizou uma exelente corrida, adaptou-se perfeitamente e rápidamente a um carro que não conhecia, o Alfa P33. Acostumado com carros menos possantes, estranhou bastante a velocidade no fim das retas, quando precisava freiar rápido. Estranhou também o câmbio com 6 velocidades. Ainda não havia pilotado um carro com motor entre eixos, bem diferente do Opala, Puma e Volkswagen que havia corrido antes. Pelo visto se adaptou muito bem mesmo.
Toninho tirou o máximo proveito de seu carro e só não conseguiu melhor colocação porque seu carro era menos possante que os dois Porsches.
Na segunda etapa da Copa Brasil de Automobilismo, Toninho já era tido como um dos favoritos. Mas, logo no primeiro dia de classificação, na entrada da Ferradura perdeu os freios do carro, que precipitou-se para fora da pista, passou por um boeiro mais alto que o nível da pista (existiam boeiros na pista de escape) e chocou-se contra o barranco. O piloto conseguiu livrar-se rápido do cinto de segurança e sair do carro acidentado, desfalecendo em seguida. Toninho fraturou os dois tornozelos ficando fora das outras etapas da Copa Brasil. O carro ficou bastante avariado.
30/11/1970
Torneio Corcel
Este torneio foi patrocianado pela Ford, todos os carros eram idênticos, saídos diretamente da fábrica para Interlagos e lá sorteados entre os pilotos.
Foram duas baterias muito disputadas. Na primeira, Toninho pulou na frente, com o carro número 1, aproveitando a pole que recebera por sorteio. Cambacau que largou em segundo, partiu na cola de Toninho. Na curva do S, Cambacau passou Toninho indo para a liderança, perdendo-a logo em seguida na saída do circuito interno. Bob Sharp que estava em terceiro, foi recuperando terreno e já na terceira volta passava Maneco Cambacau e foi a caça de Toninho. Porém a vantagem que Toninho tinha aberto logo nas primeiras voltas foi suficiente para garantir a primeira posição, e passar tranquilamente para a final. A segunda bateria foi de muita expectativa antes da largada, pois estava prescrito no regulamento que a ordem da final seria de acordo com o tempo obtido nas baterias de classificação. Acontece que, durante a realização da segunda bateria caiu uma violenta chuva, obrigando os pilotos a diminuir o ritmo. Assim o último da primeira bateria fez tempo melhor do que o vitorioso, Jaime Silva, da segunda.
Mas o regulamento foi comprido. Toninho da Matta que largou na pole, assumiu a liderança , seguido de Luiz Pereira Bueno, Jaime Silva, Ubaldo Cesar e Cambacau. Entretanto, na curva do sol, Toninho rodou e perdeu a ponta para Bueno. Fez uma prova de recuperação mas não foi o suficiente para ganhar novamente.
Classificação final: Luis Pereira Bueno, 46’28’’9; 2) Jaime Silva; 3) Ubaldo César lolli; 4) Bob Sharp; 5) José Moraes Neto; 6) Francisco Lameirão; 7) Toninho da Matta 46’02’’05.